domingo, 28 de junho de 2015

Saudade, o meu remédio é cantar!

Pra falar a verdade, eu sinto falta do cheiro da terra molhada. Eu sinto falta de cada risada, das pedras, das noites cheias de lua e das histórias que me tiravam o sono. As coisas mais simples sempre me fizeram feliz, lembro dos colchões improvisados feitos dos galhos das árvores, era sempre um sono bom, tranquilo. Um corpo envelhecido, marcado pelo tempo, mas o coração não, o coração era jovem, cheio de vida. São muitas piadas pra sentir saudade, são muitos banhos de mangueira, são muitas tardes pra lembrar. Todas as vezes que eu pisar descalça naquele chão, vou lembrar, sempre que eu olhar pra toda aquela água, eu vou lembrar. Vou lembrar daqueles cabelos brancos, despenteados, cobertos com um boné velho, e que vez em quando matava a saudade tocando uma sanfona imaginária.
 
 
                                                                                   Dayana Couto



terça-feira, 23 de junho de 2015

São João

Pode cair um mundo de água, mas a fogueira continuará acesa. Pode o céu desabar de chuva, ainda restará uma chama, mesmo que a cidade inteira transborde, ainda sim haverá calor. Quando um novo dia surgir e o sol voltar a iluminar cada canto desse mundo, quando o vento soprar e remexer as cinzas, ali no fundo existirá uma brasa quase apagada, mas ainda queimando, ela renascerá, vai arder novamente como antes e contagiar as brasas ao seu redor, alguém vai soprar, mexer aqui e acolá, acrescentar madeira, e pronto, está feita novamente a fogueira, voltou a arder a chama que antes havia esfriado. 
 
                                                                               Dayana Couto