segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Um Sorriso

Todas as manhãs eu acordo atrasada, tomo meu banho, como alguma coisa, e saio. Vou sempre pelo mesmo caminho, sempre no mesmo horário, e ao dobrar a esquina, encontro sempre a mesma senhora sentada na calçada, com sua cadela ao lado, usando sempre o mesmo vestido azul, com os cabelos molhados, dando a impressão de que acabaram de ser lavados, todas as manhãs ela está lá, mas eu nunca a vi sorrir. Sua expressão facial é sempre imparcial, tem sempre a cara de quem acordou a pouco tempo. Certo dia sai decidida a dar-lhe um sorriso, ou um bom dia quem sabe, então eu fui, e quando dobrei a esquina, ela estava lá, me preparei então para dar-lhe um sorriso, e dei, mas recebi apenas um olhar estranho em troca, isso não me frustrou, nem me deixou chateada, na verdade, foi engraçado. Eu não tinha desistido ainda, no dia seguinte, eu tentaria lhe dar um bom dia, e assim eu fiz, mas, não houve resposta para o meu cumprimento, continuei o meu caminho de todos os dias. No dia seguinte, pensei: Não é possível que eu não consiga lhe arrancar nem um sorriso! Sai Novamente decidida, dobrei aquela esquina pela milésima vez, olhei bom nos olhos da senhora e disse: Bom dia! Ela me olhou, e continuando calada, fez somente um gesto com a cabeça, bem, isso já me deixou feliz ao menos, ela havia mexido a cabeça. Passei o dia inteiro com um sorriso maroto no rosto, eu estava me sentindo feito uma criança naquele momento.  O sol nasceu como nasce todas as manhãs, logo eu já estava dobrando aquela esquina novamente, e fitando a senhora misteriosa que se negava a me dar um sorriso, dessa vez eu lhe dei o meu melhor sorriso, e ela apenas fez um gesto com a cabeça. Tá legal, aquilo já estava me irritando, qual a dificuldade de retribuir um sorriso? Resolvi que na manhã seguinte eu não lhe cumprimentaria, e assim eu fiz, passei pela rua e fingi não ter visto a senhora, mas, após caminhar um pouco, não resisti, tive que olhar para trás, para minha surpresa, a senhora me olhava com olhos curiosos e desconcertados, os olhares se cruzaram, e ela rapidamente tratou de endurecer sua expressão novamente. Aquela cena foi engraçada, me fez rir. E lá vem ele de novo, trazendo a luz do dia, clareando os nossos caminhos e nos dando seu calor, sim, o sol já brilhava majestoso no céu. Dobrei a esquina, e lá estava ela, sentada, com seu vestido azul, seu cabelo molhado e sua cadela fiel, passei bem devagar por aquela intrigante senhora, olhei em seus olhos e disse-lhe mais uma vez: Bom dia! E para minha surpresa, ela me olhou de volta, deu-me um largo sorriso e respondeu: Bom dia!

                                                              -Dayana Couto


Imagem Retirada de: https://www.google.com.br/search?q=reencontro&biw=1366&bih=667&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ved=0ahUKEwiJiOeI4NTMAhWEh5AKHQPdC6YQ_AUIBigB#tbm=isch&q=idosa+nordestina&imgrc=APCcotpkbcsq_M%3A


Fim de Tarde

Estava escuro, mas ainda era cedo,
Sentia frio, mas não encontrou aconchego,
Acordou então, procurou, tudo que encontrou foi chão,
Caminhou, e tudo que via era estrada, eram pés cansados da caminhada,
Não tinha um começo, tampouco saberia onde era o fim,
Mas o caminho era longo.
Tinham pessoas, tinha música, tinha uma brisa também,
Que logo se transformou em vento forte e lhe bagunçou os cabelos,
Tinha uma coisa redonda e brilhante no céu, cujo nome achou que era lua,
Tinham lágrimas, tão salgadas quanto à água que seus pés vinham molhar,
Tinha um cheiro bom, parecia liberdade, talvez não fosse, mas não importa,
Tinha um vai e vem, feito a onda do mar, quando pensou ter acabado,
Aquilo tudo quis voltar,
Tinham palavras pequenas, escritas numa tela,
Pequenos sorrisos derivavam delas,
Tinha alguém esperando outro alguém passar:
“Acredita na sorte ou no azar? Pois então, boa sorte você terá.”
Com um sorriso no rosto e uma pulseira no braço, foi embora sem desfazer o laço,
Sentou-se então e pôs-se a falar,
Falou tão baixinho que só as estrelas puderam lhe escutar,
Sorriu para alguém, fez careta também,
E quando percebeu, estava mais perto de Deus.

                                                             -Dayana Couto


sábado, 2 de novembro de 2013

Um barquinho solitário

Eu precisava estar ali, e o pior de tudo é que eu sabia disso. Mas eu não estava, e não me refiro ao meu corpo, pois ele estava lá, e sim à minha mente, por que esta voava longe da realidade. Eu estava em um barco, no meio de um rio, sozinha, eu tinha um remo e um livro, os pássaros cantavam, haviam alguns peixes, o dia estava lindo, uma vento suave me bagunçava os cabelos, eu deitei no pequeno barco, me pus a observar as nuvens, elas dançavam no céu, pareciam zombar da minha solidão, pude ouvir alguns risos, talvez estivessem rindo de mim, independente disso, eram sorrisos gostosos de se ouvir.
 Eu permaneci observando as nuvens por alguns minutos, então, dei-me conta de que o sol começava a despedir-se, logo amarrei meu barco ali perto, e sentei-me na grama verde, estava pronta para recepcionar a lua, e ela veio. Majestosa, como sempre, pairou sobre o céu negro, e num instante, fez desaparecer toda escuridão daquela noite. Fiz da grama travesseiro e deitei-me para contemplar aquele céu iluminado por uma luz dourada que parecia não ter fim, e foi assim a noite toda, enquanto a lua brilhou no céu, meus olhos refletiram sua luz.
Agora o céu começava a clarear, o sol já estava chegando, sentei-me a beira do rio, perto de uma árvore, molhei meu rosto, segurei meu livro e esperei o sol chegar. Sim ele chegou como chega todas as manhãs, saudoso, cheio de brilho, sua luz refletia na água, era algo bonito de ver. Estava deitada novamente sobre a grama, observado os pássaros, eles cantavam docemente naquela manhã, mas algo fugia da harmonia do momento, uma voz rouca, forte, chamava por mim, tomei um susto, balancei a cabeça, esfreguei os olhos, e então percebi, a voz era do meu professor, que ha algum tempo chamava por mim, dei-me conta então, de que tudo havia acontecido, era real, mas, somente em meu mundinho. Voltei ao mundo comum, mas pensei o dia inteiro em quando iria voltar pro meu mundo particular.

                                                            -Dayana Couto



Imagem retirada de: https://www.google.com.br/search?q=reencontro&biw=1366&bih=667&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ved=0ahUKEwiJiOeI4NTMAhWEh5AKHQPdC6YQ_AUIBigB#tbm=isch&q=barquinho+de+papel+na+agua&imgrc=KnQpnSJ-GM04WM%3A